domingo, 20 de janeiro de 2013

Oh. África

por do so em tete

Cai a noite escura de mansinho
Corre uma brisa que refresca
Lá longe o forte som dos batuques
O restolhar dos bichos nocturnos.
O cheiro forte de terra molhada!
Deitada na velha cadeira de lona
Ouvido colado ao pequeno rádio
Esqueço o tempo naquela música
Que nos aquece a alma e o coração.
A mãe envolve o menino na capulana
Protegendo da cacimba da noite
Estendida na esteira ela dorme,
Nada quebra aquele silêncio místico.
Oh. África mãe de todos nós
Envolve-me com todo teu feitiço
E jamais me poderei sentir só!

domingo, 13 de janeiro de 2013

O Sonho

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imagem da internet


Sinto ainda em meus cabelos
Suave carícia de teus beijos
Quentes, meigos a envolve-los
Doce perfume, quanto o desejo.

Tuas finas mãos aveludadas
Segurando meus rosto sonhador
Quais moiras encantadas
Vais sendo, de meus olhos, senhor!

Oh! Como é bom este encanto
De ter alguém tão possesivo
Esquecer que há dor e pranto

Ser só de alguém carinhoso
Que me tire deste mundo sofrido
Sentir como tudo e grandioso!

domingo, 6 de janeiro de 2013

ANGUSTIA

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Rasga-se a alma de tanto sofrer
Incham os olhos de tanto chorar
Não sinto vontade de ninguém ver
Onde será que vou eu parar!


domingo, 30 de dezembro de 2012

A casinha.





De tijolo pequeno e certinho
De barro que a terra lhe deu
Com muito amor e carinho
As paredes da casa ergueu.
Com janelas e porta de entrada
E  uma salinha de estar,
Uma varandinha na frente
Para nela à tarde descansar.
Com suas mãos calejadas
Árvores de mangas plantou
Delas tirava o doce fruto
E na sombra se refrescou.
Roubaram-lhe aquilo tinha
Quando menos esperava
Deixou Africa deixou tudo
Na esperança de voltar.
As árvores que plantara
Chorando de tanta saudade
Invadiram a casa dentro
Aguardando a sua chegada.


sábado, 29 de dezembro de 2012

Jacaradas

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Sonhei que estava dormindo
Num lindo manto colorido
De flores roxas pequeninas
Envolta em música encantada
Num bosque já desaparecido.
As árvores grandes juntinhas
Jacarandás com flores cobriam
O chão de terra onde dormia
O leito macio onde eu sonhava!


Porque é sábado

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E porque é sábado
Visto o meu  vestido novo de chita
Que me aperta as carnes voluptuosas.
Estico a carapinha emaranhada
Perfumo-a com cheiros de flores
Calço a minha sandália encarnada
Que joga com o meu vestido às cores .
Porque é sábado
Vou gingar pela rua animada
Provocando os olhares de todos
De gente que ri despreocupada
Porque é sábado
Procuro com olhar dengoso
Companhia para me levar ao baile,
Apertar-me nos braços na dança
Fechar os olhos e deixar sonhar.
Porque é sábado
Regresso a casa já tarde
Na pele o cheiro do after shave
Misturado no suor que me cobre o corpo
Com o  coração inchado de prazer.

(Flor de Acacia)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

MENINO FRANZINO

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Menino franzino, cabedula rasgada
Descalço, faminto, sujo perdido
Escondido na cidade como que a medo
Dormia na rua, á cacimba e sem esteira
Estendia a mão e a quinhenta pedia.
Mwana perdido que todos corriam
Á pancada ao desprezo de todos fugia.
“Quinhenta patrão!”, ninguém o ouvia,
E o menino pedia e chorava em vão
Uma quinhenta , que ninguém deu
A moedinha branca precisa pró pão.