domingo, 4 de novembro de 2012




MENINO NEGRO

Menino negro, meu irmão
Nascido na mesma terra que eu
Comeste o peixe que comi
A mesma água nos matou a sede
Brincaste comigo lado a lado
Demos tantas vezes as mãos
Na mesma escola brincamos
Crescemos uma vida inteira!
Hoje, invejo-te meu irmão
Tens mais que eu tenho
Nesse Moçambique onde  nascemos.
Ainda vês a nossa escola
E da malambeira a sombra
Da qual tantas vezes brincamos!
E a maçanica rosada, tão doce!
Descansas a sombra da mangueira.
És livre meu irmão, num país
Em guerra, mas é teu!
E eu? Que me resta meu irmão?
Saudades, saudades de ti, de tudo enfim.
Recordações tão gratas e lindas
Oh, como me sinto em terra alheia!