domingo, 30 de dezembro de 2012

A casinha.





De tijolo pequeno e certinho
De barro que a terra lhe deu
Com muito amor e carinho
As paredes da casa ergueu.
Com janelas e porta de entrada
E  uma salinha de estar,
Uma varandinha na frente
Para nela à tarde descansar.
Com suas mãos calejadas
Árvores de mangas plantou
Delas tirava o doce fruto
E na sombra se refrescou.
Roubaram-lhe aquilo tinha
Quando menos esperava
Deixou Africa deixou tudo
Na esperança de voltar.
As árvores que plantara
Chorando de tanta saudade
Invadiram a casa dentro
Aguardando a sua chegada.


sábado, 29 de dezembro de 2012

Jacaradas

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Sonhei que estava dormindo
Num lindo manto colorido
De flores roxas pequeninas
Envolta em música encantada
Num bosque já desaparecido.
As árvores grandes juntinhas
Jacarandás com flores cobriam
O chão de terra onde dormia
O leito macio onde eu sonhava!


Porque é sábado

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E porque é sábado
Visto o meu  vestido novo de chita
Que me aperta as carnes voluptuosas.
Estico a carapinha emaranhada
Perfumo-a com cheiros de flores
Calço a minha sandália encarnada
Que joga com o meu vestido às cores .
Porque é sábado
Vou gingar pela rua animada
Provocando os olhares de todos
De gente que ri despreocupada
Porque é sábado
Procuro com olhar dengoso
Companhia para me levar ao baile,
Apertar-me nos braços na dança
Fechar os olhos e deixar sonhar.
Porque é sábado
Regresso a casa já tarde
Na pele o cheiro do after shave
Misturado no suor que me cobre o corpo
Com o  coração inchado de prazer.

(Flor de Acacia)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

MENINO FRANZINO

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Menino franzino, cabedula rasgada
Descalço, faminto, sujo perdido
Escondido na cidade como que a medo
Dormia na rua, á cacimba e sem esteira
Estendia a mão e a quinhenta pedia.
Mwana perdido que todos corriam
Á pancada ao desprezo de todos fugia.
“Quinhenta patrão!”, ninguém o ouvia,
E o menino pedia e chorava em vão
Uma quinhenta , que ninguém deu
A moedinha branca precisa pró pão.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

OUTONO

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Sento-me à janela do meu quarto
Vejo as folhas das árvores que caem
Balançam leves ao sabor do vento
As folhas já velhas e amarelecidas.
Cobrem o chão que muda de cor
Num tapete amarelo-vermelho
O sol que nos aquece, fraquinho!
E arrefece esta alma tão sozinha…
Com elas, morrem meus amores,
Enquanto a chuva caí de mansinho!


domingo, 25 de novembro de 2012

NA QUIETUDE DESTA TARDE.

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Na plena quietude desta tarde
Só se ouve o cair da chuva
Caí miudinha, sem grande alarde
E  mais que nunca queria ser tua!

Escoam-se as águas pelos beirais
Meu pensamento anda á solta
Não sei qual deles corre mais
Só sei que ambos vão sem volta.

Corrente de água que engrossa
Pensamentos em sonhos formados
Puros e lindos como as rosas
Perfumam e caem desmanchados!

A água da chuva que terá seu fim
Alimentar os seres tão sedentos
Meus pensamentos, esses, enfim…
Servem só meus desalentos!

sábado, 24 de novembro de 2012

DIA DE CHUVA

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Chuva miúda que só molha a rua
No contraste com a tristeza
Que me atropela  as ideias
É esta chuva gelada
Que lava a alma
E apodrece o corpo
Também seca as alegrias
Os sorrisos espontâneos
Isola-me de tudo e de todos
Fico tão só neste dia,
E as lágrimas que não caem!



terça-feira, 20 de novembro de 2012

QUATRO PEDRINHAS

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Tenho dentro de minha mão
Escondidas apertadinhas
Quatro pedrinhas que me deste
Tão pequenas e polidinhas.
Apanhaste-as naquela praia
Quando passeávamos sozinhos,
E tantas outras encontradas
Que ficaram pelo caminho.
Dizias-me  com ar brejeiro:
Uma eram as flores,
A segunda joias  merecidas
A terceira beijos perdidos
A ultima nossos amores
Que jamais seriam esquecidos.
E nosso amor cresceu e cresceu...
Hoje de mesmo modo lindas
Olho-as com ternas saudades
Porque nosso amor morreu!





segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A GAROTA

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A Garota que aqui vejo
Não é fina nem letrada
Prende os olhares de quem passa
Veste capulana de muitas cores
Tem uma tez aveludada
E um olhar muito doce
A garota que aqui vejo
Caminha leve como uma gazela
Estica bem a sua carapinha
Cheira ás águas do meu Zambeze
Ri-se quando lhe digo que é tão bela
Baixa os olhos envergonhada
A garota que aqui vejo
É a cara das gentes da minha terra.

domingo, 18 de novembro de 2012

Os versos...



Os versos são pássaros que chegam
Não sei de onde nem porquê
Fazem companhia á solidão
Voam livremente e pousam
Na folha branca onde escrevo.
Alimentam-se das palavras doces
Amargas, e tristes, sei lá…
Cantam as vitórias de minha alma
Partem com as tristezas que recolhem!

sábado, 17 de novembro de 2012

DESÂNIMO






Percorro cegamente estes caminhos
Que a luz de meu pensamento indica
Nada encontro a não ser de víboras, ninhos
Com os quais luto ferozmente, e tudo fica!

Compreensão, inteligência, não existe!
Maldade, inveja quantas possam,
Tudo em redor sempre tão triste
Nada encontro que viver justifique

Senhor, se a cada um dás o mesmo
Porque há quem tenha tudo a mais?
Será por caminhos de maldade?

Caminhamos todos lado a lado
Uns seguem amando os demais
Outros… procurando a infelicidade!


sexta-feira, 16 de novembro de 2012






RETRATO

Corpo perfeito talhe de artista
Cabelos escuros cor indefinida
Olhos castanhos tão realistas
Sorriso aberto, boca fendida.

Tuas mãos fortes aveludadas
O andar certo compassado
Tudo em ti, perfeito, acabado!
Obra-prima da humanidade
Que me apraz tudo admirar.

Nesta minha completa insanidade
Analiso o ser com meu olhar!
Dentro dela, nada existe
Nem alma, nem dor ou sentir
És homem porque nisso insistes.

Prazer de enganar, de mentir,
Qual estatua de pedra rude
Perfeita, linda sem igual
Cai no chão, a todos desilude.
Fica em pó completo, afinal

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

CANGANHIÇA







Apodera-se dele uma tristeza
Daquelas que julgamos ser canganhiça
O corpo dói-lhe por todo lado
A coração chora mesmo baixinho!
Fecha os olhos para sonecar
Será que alivia este seu estado?
É doença mesmo da verdadeira
Daquelas que nem “inhabeze” cura
Ou será pura melancolia.
Senta-se ao sol enrolado na manta
Escura e velha de contratado
No último degrau da velha casa
Que “mezungo” deixou abandonado.
Canganhiça ou dor de “mussolo”
Vai passando devagarinho
Com recordar dos tempos idos!


A MINHA RUA











Quando era mais menina
A minha rua tinha beleza
Tinha movimento e encanto
Passeios e árvores grandiosas!
Magalas, doutores, e as sicanas
Meninas solteiras senhoras casadas
Todas lindas e aperaltadas,
Tantas gentes que lá passeavam!
Na noite escura e á luz da lua
Rugiam motores de Subarus e descapotáveis
Sinais de luzes ou aceleradelas
Indicavam códigos tão indecifráveis.
Quem os entendia, a janelas assomava.
Após tantos anos passados
A minha rua não envelheceu
E continua linda movimentada,
Inesquecível para quem a conheceu
A rua onde eu também passeava!














domingo, 4 de novembro de 2012




MENINO NEGRO

Menino negro, meu irmão
Nascido na mesma terra que eu
Comeste o peixe que comi
A mesma água nos matou a sede
Brincaste comigo lado a lado
Demos tantas vezes as mãos
Na mesma escola brincamos
Crescemos uma vida inteira!
Hoje, invejo-te meu irmão
Tens mais que eu tenho
Nesse Moçambique onde  nascemos.
Ainda vês a nossa escola
E da malambeira a sombra
Da qual tantas vezes brincamos!
E a maçanica rosada, tão doce!
Descansas a sombra da mangueira.
És livre meu irmão, num país
Em guerra, mas é teu!
E eu? Que me resta meu irmão?
Saudades, saudades de ti, de tudo enfim.
Recordações tão gratas e lindas
Oh, como me sinto em terra alheia!