terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Quando eu morrer.!



Quando eu morrer
Não quero lágrimas
Nem tristezas junto a mim
Que ninguém vista preto
Nem me comprem flores
Não me enterrem com chuva.
Tão pouco com sol que tanto amei.
Quando eu morrer
Quero vossos rostos serenos
Lembrando das coisas boas vividas
Dos bons tempos que passamos
Quando eu morrer quero apenas
Que espalhem minhas cinzas
Nas águas do meu Zambeze.

E partirei feliz.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

PORTAS FECHADAS



Encontrei portas fechadas
Seladas, partidas
Janelas perdidas
Fendidas, esquecidas
Quando as portas se fecham
E janelas não abrem
Acaba-se a vida
Mas nelas pintaram
Caras desconhecidas
Coisas vividas
Crianças e idosos
Gentes de longe
Gente de perto
E as portas se abriram
E tudo  ganhou vida!


domingo, 15 de novembro de 2015

Liberdade


Liberdade

Será que liberdade é a guerra, o ódio
Ou a morte?
Será que liberdade é uma Granada, uma bazuca
Ou um canhão?
Será que liberdade é a fome, a sede
Ou a escravidão?
Será que a liberdade é a dor o escárnio ou um chicote?
Será que neste mundo não sabem
Que liberdade
É a vida
É a paz
É o amor
É a esperança
A Fé
E a musica!
A Liberdade nasce
Em cada um de nós
Vamos deixar que cresça
E que não morra
Entre todos.


(poema escrito por meu filho Miguel Alagoa em Junho 1985)

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Dia dos Mortos



Hoje é o dia dos mortos
Não lhe leves flores
Leva-lhe antes orações
E todo o teu amor
Recorda-os como antes
Fecha os olhos e imagina
Que os tens na tua presença
Fala-lhes da saudade
Acaricia-lhe a alma com um sorriso
Não chores, dá-lhe orações
Porque precisam de paz
Eles não morreram
Vivem no teu coração
E teu  amor é infinito.

sábado, 24 de outubro de 2015

Solidão.



O velho vinil que roda
Na grafonola de pilhas gastas
Arrasta o som e choca
Como a música toca.
Olho o disco rodar
De copo de whisky na mão
Já de vista turvada
Arrasto meus pés
E danço sozinha na solidão.
Aperto-me em abraços a mim mesmo
Imagino teu corpo junto ao meu
Sinto teu cheiro teu perfume
Vou rodando, rodando
Até a música parar
E deixar-me cair no chão.

domingo, 11 de outubro de 2015

Mangas Verdes



Mangas verdes que saudade
Vermelhas, amarelas já maduras
Trazes em teus fios dourados
O doce sol da minha cidade.

O NINHO



O NINHO

Sei de um ninho tão bem feitinho
Pendurado no alto daquela micaia
Terá ovos, terá passarinhos?
Balança tanto que talvez caia
E o xirico não saiu de lá.
Ouvido apurado que escuto eu,
Um pio tão baixinho…
Tem passarinho, tem passarinho

Naquele ninho tão pequenino!

sábado, 10 de outubro de 2015

Maçanica



Ofereceste-me certo dia
Algo insólito oferecer
Um ramo de maçanica
Uma apenas doce, vermelha
Linda de morrer.
Fiquei com ele na mão
Com pena de comer
Era linda redondinha
Não o podia fazer.
Nele entregavas teu amor
Nascido ao entardecer
Quando me viste lá no cimo
Algumas dela colher.

sábado, 26 de setembro de 2015

As missangas .


As missangas desempenham um papel muito importante em algumas culturas africanas. O significados por trás das missangas africanas incluem orgulho, beleza, cultura, poder e identidade. Durante o tráfico de escravos, os africanos eram vendidos em troca de missangas.

As missangas que lhe deu.
Uma a uma enfiou
Em fio delicado e forte
E seu braço enfeitou
Eram grandes e pequenas
Coloridas pois então
Brilhavam no escuro da noite
Nas mais quentes de Verão
Seus olhos se iluminavam
Ou seria ilusão.
Um dia deixou de o ver
E a pulseira se partiu
Espalharam-se as missangas no chão
Nunca mais ninguém as viu
Ficou a marca da desilusão!



Estou triste!


Estou oca, vazia
Nada em mim desperta
Nem inspiração
Nem escrever coisa certa
Estou vazia de coração
Vazia de pensar
Nesta triste ilusão
De um dia eu acordar
Estou triste
Não sei que se passa
Nem que eu arrisque
Não vou beber desta taça

De amargura sem fim!

sábado, 5 de setembro de 2015

MÃOS RUDES

(flordeacacia)

Mãos rudes, de pele grossa
Queimadas pelo sol e pelo vento
Mãos duras do trabalho do campo
Que desbrava na sementeira do milho
Mãos que acariciam as crianças
Seguram ao peito e as amamentam
Mãos que acariciam seu homem
Quando na esteira se deitam
Mãos de mulher trabalhadora
Que envelheceram com os anos
E de velhas agora só trazem
Seguras entre elas e a capulana
Doces maduras e saborosas
As maçanicas do seu quintal!

domingo, 2 de agosto de 2015

UMA PRECE EM BOROMA



Um dia voltarei a Tete
Nesse dia irei a Boroma
Irei contornando o rio
Pela esburacada picada
Rezar naquele santuário
De bancos de madeira
E chão de pedra tão frio.

No nicho á sua entrada
Colocarei velas acesas
Lembrarei os que partiram
Que também ali rezavam
Dos que ainda vivos
Choram por ali voltarem.

Flores de acácias vermelhas
Nos altares colocarei
Pelos amores ali perdidos
Por tantas horas vividas
Pelos que ali deixaram
Tanta saudade sentida

terça-feira, 14 de julho de 2015

QUERO DANÇAR...



Hoje quero muito dançar
Rodopiar com meu vestido rodado
Apertadinha nos teus braços
Ao som do tango de Gardel
Hoje quero bailar
No salão engalanado
De estrelas na noite escura
Embalada pela valsa de Strauss
Hoje quero bailar
Até  o dia raiar
Rindo de felicidade
Ao som do samba mexido
Nas areias junto ao mar!

sábado, 4 de julho de 2015

GAIVOTAS



Vieram em bandos solitários

Voaram mares distantes

Rochas altas escarpadas

Traziam nas asas a pressa

De fugir as tempestades.

Poisaram no areal sereno

Onde as ondas batiam levemente

Cansados de tanto esforço

Foram ficando calmamente.

Vejo-os voando baixinho

Rasando as águas do mar

Voa gaivota voa


Elegante é o teu voar!

sexta-feira, 19 de junho de 2015

FELICIDADE.


Felicidade é poder acordar
E sorrir
Poder ser amado
Não sofrer
Ter um sítio
Para dormir
Uma família
Para o acolher.
Ter liberdade
Para sonhar
Um naco de pão
Para comer.
Um homem
Para amar
Um filho para beijar
Saúde para viver
Deixem-me ser feliz
Enquanto por cá andar!




domingo, 7 de junho de 2015

Não digas nada!



Não digas nada

Deixa que o silêncio fale por ti

Não digas nada

Encosta apenas teu peito ao meu

 Não digas nada

Teus olhos dizem tudo

Deixa-me estar abraçada a ti

Não precisas palavras

Porque está tudo dito assim!

sábado, 6 de junho de 2015

Nem sempre!



Nem sempre à noite é escuro
Nela brilham os olhos
Dos animais bravos
Brilham os pirilampos
De luzinhas tremelicando
Parecem estrelas me chamando 
Nos matos da minha saudade!
Nem sempre o dia é claro
Escurece com as pessoas más
A flor de pétalas profanadas
As invejas o ódio sei lá,
A lagrima que corre sem parar!
À noite o silêncio me acolhe
Nos braços de um sono profundo,
De dia o sol me queima
As coisas boas deste mundo!

quinta-feira, 28 de maio de 2015

É mal de doença.


Diz-me o que tens menino.
Não sei senhora!
Porque tanta tristeza,
É mal de doença
Ou falta de afecto?
Não sei senhora!
Conta-me baixinho
Onde é que doí mesmo.
Aqui senhora, abaixo do peito
Onde a dor se instala
E tem cura rápida
Basta um naco de pão!
Ah, menino
Tu tem é fome
Toma esta sopa.
Vai passar não
Pois essa sopa vou dar
Para meu irmão!

domingo, 24 de maio de 2015

Ler é bom!



É tão bom ler na cama
No quarto, no sofá
Sei lá!
Olho a estante arrumada
De muitos livros já lidos
Mas à noite pego neles
E releio alguns capítulos.
Estou só
Estão todos dormindo
Eu continuo relendo
As histórias do meu passado.
Já o sol alto brilha
Quando de um torpor imenso
Acordo.
As dores que no peito sentia
Foram as letras que me marcaram
Pois eram do livro que abraçara
Das historias que recordara
Na noite que havia perdido!

sábado, 9 de maio de 2015

Eu queria a paz .


Eu queria a paz
Aquela paz calada e serena
Onde apenas o xirico cantasse
Para alegrar as minhas penas.
Eu queria o silêncio
Onde apenas eu e tu
Olhássemos para o futuro
Envoltos nos nossos pensamentos
Eu queria a chuva
Aquela quente que refresca
Que tudo molha e também lava
As lágrimas de meu rosto.
Eu queria o sol
Que brilha com esplendor
Que  alegra, e ilumina
E curasse minhas dores
Queria o silêncio da noite
O cacimbo que cai de mansinho
Para me cobrir com a capulana
E tudo guardar dentro dela.  

domingo, 19 de abril de 2015

AÍ A CHUVA QUE CAI!




Aí a chuva que cai na terra quente
Deixa umas rodinhas de pó
E não estou só.
Pássaros voam em meu redor
Mergulham de prazer naquela chuva
Miudinha e tão fresca
Das poças deixadas na terra vermelha.
Abro os braços e deixo-me estar
Molha-me o rosto refresca-me a alma.
Sentada no chão de matope
Capulana colada ao corpo
Sinto o perfume da terra que é minha.
Pára a chuva volta o calor
Fica apenas o cheiro bom
Da terra molhada ao entardecer!

quinta-feira, 16 de abril de 2015

As vozes da noite de Africa



A voz da mamana que canta baixinho
A criança que chora de fome
E os tiros que ecoam ao longe!
A chuva que cai miudinha
A capulana que enrola os dois
A fera que rosna mansinho
O medo que sentem depois.
Noite escura de tanta tortura
Acabem com a guerra venha o silêncio
Dos tiros que cruzam o ar
Das belas noites estreladas
Ao som dos batuques de África

terça-feira, 14 de abril de 2015

O CAFÉ



Manhã bem cedinho
Vou pedir café para dois
Abraçar-te com muito carinho
Olhar o mar depois.
As gaivotas voando baixinho
Perder-me em teu olhar
Fica o café esfriando
O tempo correndo que importa
Envolta em teus braços
Esqueço o café para depois!

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O Beijo



Beijo
Beijo de amor
Beijo de pais
Beijo de amigos
Na face sim senhor
Que custa um beijo,
Dê lá um
Vá!
O beijo é de graça
Não doí, é inocente
E não custa nada!


sexta-feira, 20 de março de 2015

A Lagrima






A Lagrima

Gota de agua pequenina
Que me escorre pelo rosto
Desde que era menina.
É o espelho fiel do coração
Nelas estão coisas tão lindas
Ou sangue puro e dor
Hoje as minhas grossas pesadas
São de saudade e desgostos
Saudades de outros amores
Outras coisas passadas
Um coração ferido de dor
Das loucuras de outrora
De pedaços de vida deitados fora

domingo, 25 de janeiro de 2015

Indefinição



Temo a escuridão da noite
Os sons lúgubres que oiço
Os fantasmas que me assustam
Meus olhos que se não fecham

Temo a luz forte da manha
Que me ofusca a visão
Os barulhos da rua á luz do dia
Minha cabeça vira uma confusão

Gosto da tarde ao entardecer
Que o sol se despede de mansinho
Nem fantasmas nem luz do dia
Virão até eu adormecer!

(flordeacacia)