sábado, 29 de dezembro de 2012

Jacaradas

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Sonhei que estava dormindo
Num lindo manto colorido
De flores roxas pequeninas
Envolta em música encantada
Num bosque já desaparecido.
As árvores grandes juntinhas
Jacarandás com flores cobriam
O chão de terra onde dormia
O leito macio onde eu sonhava!


Porque é sábado

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E porque é sábado
Visto o meu  vestido novo de chita
Que me aperta as carnes voluptuosas.
Estico a carapinha emaranhada
Perfumo-a com cheiros de flores
Calço a minha sandália encarnada
Que joga com o meu vestido às cores .
Porque é sábado
Vou gingar pela rua animada
Provocando os olhares de todos
De gente que ri despreocupada
Porque é sábado
Procuro com olhar dengoso
Companhia para me levar ao baile,
Apertar-me nos braços na dança
Fechar os olhos e deixar sonhar.
Porque é sábado
Regresso a casa já tarde
Na pele o cheiro do after shave
Misturado no suor que me cobre o corpo
Com o  coração inchado de prazer.

(Flor de Acacia)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

MENINO FRANZINO

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Menino franzino, cabedula rasgada
Descalço, faminto, sujo perdido
Escondido na cidade como que a medo
Dormia na rua, á cacimba e sem esteira
Estendia a mão e a quinhenta pedia.
Mwana perdido que todos corriam
Á pancada ao desprezo de todos fugia.
“Quinhenta patrão!”, ninguém o ouvia,
E o menino pedia e chorava em vão
Uma quinhenta , que ninguém deu
A moedinha branca precisa pró pão.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

OUTONO

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Sento-me à janela do meu quarto
Vejo as folhas das árvores que caem
Balançam leves ao sabor do vento
As folhas já velhas e amarelecidas.
Cobrem o chão que muda de cor
Num tapete amarelo-vermelho
O sol que nos aquece, fraquinho!
E arrefece esta alma tão sozinha…
Com elas, morrem meus amores,
Enquanto a chuva caí de mansinho!


domingo, 25 de novembro de 2012

NA QUIETUDE DESTA TARDE.

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Na plena quietude desta tarde
Só se ouve o cair da chuva
Caí miudinha, sem grande alarde
E  mais que nunca queria ser tua!

Escoam-se as águas pelos beirais
Meu pensamento anda á solta
Não sei qual deles corre mais
Só sei que ambos vão sem volta.

Corrente de água que engrossa
Pensamentos em sonhos formados
Puros e lindos como as rosas
Perfumam e caem desmanchados!

A água da chuva que terá seu fim
Alimentar os seres tão sedentos
Meus pensamentos, esses, enfim…
Servem só meus desalentos!

sábado, 24 de novembro de 2012

DIA DE CHUVA

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Chuva miúda que só molha a rua
No contraste com a tristeza
Que me atropela  as ideias
É esta chuva gelada
Que lava a alma
E apodrece o corpo
Também seca as alegrias
Os sorrisos espontâneos
Isola-me de tudo e de todos
Fico tão só neste dia,
E as lágrimas que não caem!



terça-feira, 20 de novembro de 2012

QUATRO PEDRINHAS

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Tenho dentro de minha mão
Escondidas apertadinhas
Quatro pedrinhas que me deste
Tão pequenas e polidinhas.
Apanhaste-as naquela praia
Quando passeávamos sozinhos,
E tantas outras encontradas
Que ficaram pelo caminho.
Dizias-me  com ar brejeiro:
Uma eram as flores,
A segunda joias  merecidas
A terceira beijos perdidos
A ultima nossos amores
Que jamais seriam esquecidos.
E nosso amor cresceu e cresceu...
Hoje de mesmo modo lindas
Olho-as com ternas saudades
Porque nosso amor morreu!