terça-feira, 7 de setembro de 2021

 










Eu tive um dia

o sonho de uma casinha

bem linda e pequenina

na terra dos meus avós

era tão bonitinha

pintada de branco

janelas azuis.

Um jardim e um banco

muitas flores variadas!

Uma varanda pequena

onde ouvisse os pássaros

cantar ao amanhecer

e no silencio da noite, 

adormecer.

Eu tive esse sonho

tão bonito mas acabou

tempos difíceis, medonhos

e nada ficou.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

UM DIA UMA VIDA


























Um carreiro sinuoso
entre um mato bem rasteiro
um sol tão radioso
ao fundo uma praia imensa.

Um mar azul, de ondas revoltoso.
Caminhamos só, nós dois
sobre a areia fina escaldante
longe do mundo ruidoso

Um recanto só nosso
deitados lado a lado.
Trocamos olhares tão profundos
como nos tempos já passados.

Só nós dois longe de todos
calados dizemos tudo
um beijo com carinho um afago
prolongado pelo prazer sentido


Já os cabelos brancos espreitam
as rugas já aparecerão,
que importa se já caminhamos
tantos anos sempre juntos.

Entre tantas pedras do caminho
tantas flores que colhemos!
Sempre juntos de mão dadas
linda vida a nossa, brindemos!



domingo, 6 de maio de 2018

MINHA MÃE-Dia da mãe


































As rugas de minha mãe
Umas profundas outras, lisas
Mais não são de tantos anos
Que já passou nesta vida.


São profundas mas macias
Pele de seda da mais fina
Beijo-as diversas vezes
Quando me sinto perdida.

Do seu ventre eu nasci
De um amor infinito
Nos seus braços eu cresci
A filha que desejavas
E me olhaste com um olhar feliz.

Hoje sou eu que retribuo
Os trabalhos que te dei.
As garotices que lhe fazia
e as corridas atrás de mim.

Estás velhinha minha mãe
já as mazelas gastas te avisam
Mas enquanto estiveres viva
Sou eu que tratarei de ti.





Aniversario 90 Primaveras



terça-feira, 27 de junho de 2017

CAMPISTAS





Fui passear por Viseu
Passei pela ponte do Pavia
Vi pescadores aguardando peixe
Mas só de plastico os havia

Tantos arranjos se fizeram
Nesta linda e bela cidade
Desde iluminar os sinais
Com luzinhas acende e apaga.

Oh Senhor presidente
Renovar a Radial, ficou bem sim senhor
Mas um parque de campismo
Era bem mais urgente

Vemos os campistas às voltas
Por esta linda cidade
De caravanas modernas
Mas sem sitio para ficar.

De mapa aberto na mão
Chegam à triste conclusão
A cidade é linda e bela
Mas não têm onde ficar.







terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Quando eu morrer.!



Quando eu morrer
Não quero lágrimas
Nem tristezas junto a mim
Que ninguém vista preto
Nem me comprem flores
Não me enterrem com chuva.
Tão pouco com sol que tanto amei.
Quando eu morrer
Quero vossos rostos serenos
Lembrando das coisas boas vividas
Dos bons tempos que passamos
Quando eu morrer quero apenas
Que espalhem minhas cinzas
Nas águas do meu Zambeze.

E partirei feliz.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

PORTAS FECHADAS



Encontrei portas fechadas
Seladas, partidas
Janelas perdidas
Fendidas, esquecidas
Quando as portas se fecham
E janelas não abrem
Acaba-se a vida
Mas nelas pintaram
Caras desconhecidas
Coisas vividas
Crianças e idosos
Gentes de longe
Gente de perto
E as portas se abriram
E tudo  ganhou vida!


domingo, 15 de novembro de 2015

Liberdade


Liberdade

Será que liberdade é a guerra, o ódio
Ou a morte?
Será que liberdade é uma Granada, uma bazuca
Ou um canhão?
Será que liberdade é a fome, a sede
Ou a escravidão?
Será que a liberdade é a dor o escárnio ou um chicote?
Será que neste mundo não sabem
Que liberdade
É a vida
É a paz
É o amor
É a esperança
A Fé
E a musica!
A Liberdade nasce
Em cada um de nós
Vamos deixar que cresça
E que não morra
Entre todos.


(poema escrito por meu filho Miguel Alagoa em Junho 1985)

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Dia dos Mortos



Hoje é o dia dos mortos
Não lhe leves flores
Leva-lhe antes orações
E todo o teu amor
Recorda-os como antes
Fecha os olhos e imagina
Que os tens na tua presença
Fala-lhes da saudade
Acaricia-lhe a alma com um sorriso
Não chores, dá-lhe orações
Porque precisam de paz
Eles não morreram
Vivem no teu coração
E teu  amor é infinito.

sábado, 24 de outubro de 2015

Solidão.



O velho vinil que roda
Na grafonola de pilhas gastas
Arrasta o som e choca
Como a música toca.
Olho o disco rodar
De copo de whisky na mão
Já de vista turvada
Arrasto meus pés
E danço sozinha na solidão.
Aperto-me em abraços a mim mesmo
Imagino teu corpo junto ao meu
Sinto teu cheiro teu perfume
Vou rodando, rodando
Até a música parar
E deixar-me cair no chão.

domingo, 11 de outubro de 2015

Mangas Verdes



Mangas verdes que saudade
Vermelhas, amarelas já maduras
Trazes em teus fios dourados
O doce sol da minha cidade.

O NINHO



O NINHO

Sei de um ninho tão bem feitinho
Pendurado no alto daquela micaia
Terá ovos, terá passarinhos?
Balança tanto que talvez caia
E o xirico não saiu de lá.
Ouvido apurado que escuto eu,
Um pio tão baixinho…
Tem passarinho, tem passarinho

Naquele ninho tão pequenino!

sábado, 10 de outubro de 2015

Maçanica



Ofereceste-me certo dia
Algo insólito oferecer
Um ramo de maçanica
Uma apenas doce, vermelha
Linda de morrer.
Fiquei com ele na mão
Com pena de comer
Era linda redondinha
Não o podia fazer.
Nele entregavas teu amor
Nascido ao entardecer
Quando me viste lá no cimo
Algumas dela colher.

sábado, 26 de setembro de 2015

As missangas .


As missangas desempenham um papel muito importante em algumas culturas africanas. O significados por trás das missangas africanas incluem orgulho, beleza, cultura, poder e identidade. Durante o tráfico de escravos, os africanos eram vendidos em troca de missangas.

As missangas que lhe deu.
Uma a uma enfiou
Em fio delicado e forte
E seu braço enfeitou
Eram grandes e pequenas
Coloridas pois então
Brilhavam no escuro da noite
Nas mais quentes de Verão
Seus olhos se iluminavam
Ou seria ilusão.
Um dia deixou de o ver
E a pulseira se partiu
Espalharam-se as missangas no chão
Nunca mais ninguém as viu
Ficou a marca da desilusão!



Estou triste!


Estou oca, vazia
Nada em mim desperta
Nem inspiração
Nem escrever coisa certa
Estou vazia de coração
Vazia de pensar
Nesta triste ilusão
De um dia eu acordar
Estou triste
Não sei que se passa
Nem que eu arrisque
Não vou beber desta taça

De amargura sem fim!

sábado, 5 de setembro de 2015

MÃOS RUDES

(flordeacacia)

Mãos rudes, de pele grossa
Queimadas pelo sol e pelo vento
Mãos duras do trabalho do campo
Que desbrava na sementeira do milho
Mãos que acariciam as crianças
Seguram ao peito e as amamentam
Mãos que acariciam seu homem
Quando na esteira se deitam
Mãos de mulher trabalhadora
Que envelheceram com os anos
E de velhas agora só trazem
Seguras entre elas e a capulana
Doces maduras e saborosas
As maçanicas do seu quintal!

domingo, 2 de agosto de 2015

UMA PRECE EM BOROMA



Um dia voltarei a Tete
Nesse dia irei a Boroma
Irei contornando o rio
Pela esburacada picada
Rezar naquele santuário
De bancos de madeira
E chão de pedra tão frio.

No nicho á sua entrada
Colocarei velas acesas
Lembrarei os que partiram
Que também ali rezavam
Dos que ainda vivos
Choram por ali voltarem.

Flores de acácias vermelhas
Nos altares colocarei
Pelos amores ali perdidos
Por tantas horas vividas
Pelos que ali deixaram
Tanta saudade sentida

terça-feira, 14 de julho de 2015

QUERO DANÇAR...



Hoje quero muito dançar
Rodopiar com meu vestido rodado
Apertadinha nos teus braços
Ao som do tango de Gardel
Hoje quero bailar
No salão engalanado
De estrelas na noite escura
Embalada pela valsa de Strauss
Hoje quero bailar
Até  o dia raiar
Rindo de felicidade
Ao som do samba mexido
Nas areias junto ao mar!

sábado, 4 de julho de 2015

GAIVOTAS



Vieram em bandos solitários

Voaram mares distantes

Rochas altas escarpadas

Traziam nas asas a pressa

De fugir as tempestades.

Poisaram no areal sereno

Onde as ondas batiam levemente

Cansados de tanto esforço

Foram ficando calmamente.

Vejo-os voando baixinho

Rasando as águas do mar

Voa gaivota voa


Elegante é o teu voar!

sexta-feira, 19 de junho de 2015

FELICIDADE.


Felicidade é poder acordar
E sorrir
Poder ser amado
Não sofrer
Ter um sítio
Para dormir
Uma família
Para o acolher.
Ter liberdade
Para sonhar
Um naco de pão
Para comer.
Um homem
Para amar
Um filho para beijar
Saúde para viver
Deixem-me ser feliz
Enquanto por cá andar!