sábado, 24 de outubro de 2015

Solidão.



O velho vinil que roda
Na grafonola de pilhas gastas
Arrasta o som e choca
Como a música toca.
Olho o disco rodar
De copo de whisky na mão
Já de vista turvada
Arrasto meus pés
E danço sozinha na solidão.
Aperto-me em abraços a mim mesmo
Imagino teu corpo junto ao meu
Sinto teu cheiro teu perfume
Vou rodando, rodando
Até a música parar
E deixar-me cair no chão.

domingo, 11 de outubro de 2015

Mangas Verdes



Mangas verdes que saudade
Vermelhas, amarelas já maduras
Trazes em teus fios dourados
O doce sol da minha cidade.

O NINHO



O NINHO

Sei de um ninho tão bem feitinho
Pendurado no alto daquela micaia
Terá ovos, terá passarinhos?
Balança tanto que talvez caia
E o xirico não saiu de lá.
Ouvido apurado que escuto eu,
Um pio tão baixinho…
Tem passarinho, tem passarinho

Naquele ninho tão pequenino!

sábado, 10 de outubro de 2015

Maçanica



Ofereceste-me certo dia
Algo insólito oferecer
Um ramo de maçanica
Uma apenas doce, vermelha
Linda de morrer.
Fiquei com ele na mão
Com pena de comer
Era linda redondinha
Não o podia fazer.
Nele entregavas teu amor
Nascido ao entardecer
Quando me viste lá no cimo
Algumas dela colher.

sábado, 26 de setembro de 2015

As missangas .


As missangas desempenham um papel muito importante em algumas culturas africanas. O significados por trás das missangas africanas incluem orgulho, beleza, cultura, poder e identidade. Durante o tráfico de escravos, os africanos eram vendidos em troca de missangas.

As missangas que lhe deu.
Uma a uma enfiou
Em fio delicado e forte
E seu braço enfeitou
Eram grandes e pequenas
Coloridas pois então
Brilhavam no escuro da noite
Nas mais quentes de Verão
Seus olhos se iluminavam
Ou seria ilusão.
Um dia deixou de o ver
E a pulseira se partiu
Espalharam-se as missangas no chão
Nunca mais ninguém as viu
Ficou a marca da desilusão!



Estou triste!


Estou oca, vazia
Nada em mim desperta
Nem inspiração
Nem escrever coisa certa
Estou vazia de coração
Vazia de pensar
Nesta triste ilusão
De um dia eu acordar
Estou triste
Não sei que se passa
Nem que eu arrisque
Não vou beber desta taça

De amargura sem fim!

sábado, 5 de setembro de 2015

MÃOS RUDES

(flordeacacia)

Mãos rudes, de pele grossa
Queimadas pelo sol e pelo vento
Mãos duras do trabalho do campo
Que desbrava na sementeira do milho
Mãos que acariciam as crianças
Seguram ao peito e as amamentam
Mãos que acariciam seu homem
Quando na esteira se deitam
Mãos de mulher trabalhadora
Que envelheceram com os anos
E de velhas agora só trazem
Seguras entre elas e a capulana
Doces maduras e saborosas
As maçanicas do seu quintal!