sábado, 17 de novembro de 2012

DESÂNIMO






Percorro cegamente estes caminhos
Que a luz de meu pensamento indica
Nada encontro a não ser de víboras, ninhos
Com os quais luto ferozmente, e tudo fica!

Compreensão, inteligência, não existe!
Maldade, inveja quantas possam,
Tudo em redor sempre tão triste
Nada encontro que viver justifique

Senhor, se a cada um dás o mesmo
Porque há quem tenha tudo a mais?
Será por caminhos de maldade?

Caminhamos todos lado a lado
Uns seguem amando os demais
Outros… procurando a infelicidade!


sexta-feira, 16 de novembro de 2012






RETRATO

Corpo perfeito talhe de artista
Cabelos escuros cor indefinida
Olhos castanhos tão realistas
Sorriso aberto, boca fendida.

Tuas mãos fortes aveludadas
O andar certo compassado
Tudo em ti, perfeito, acabado!
Obra-prima da humanidade
Que me apraz tudo admirar.

Nesta minha completa insanidade
Analiso o ser com meu olhar!
Dentro dela, nada existe
Nem alma, nem dor ou sentir
És homem porque nisso insistes.

Prazer de enganar, de mentir,
Qual estatua de pedra rude
Perfeita, linda sem igual
Cai no chão, a todos desilude.
Fica em pó completo, afinal

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

CANGANHIÇA







Apodera-se dele uma tristeza
Daquelas que julgamos ser canganhiça
O corpo dói-lhe por todo lado
A coração chora mesmo baixinho!
Fecha os olhos para sonecar
Será que alivia este seu estado?
É doença mesmo da verdadeira
Daquelas que nem “inhabeze” cura
Ou será pura melancolia.
Senta-se ao sol enrolado na manta
Escura e velha de contratado
No último degrau da velha casa
Que “mezungo” deixou abandonado.
Canganhiça ou dor de “mussolo”
Vai passando devagarinho
Com recordar dos tempos idos!


A MINHA RUA











Quando era mais menina
A minha rua tinha beleza
Tinha movimento e encanto
Passeios e árvores grandiosas!
Magalas, doutores, e as sicanas
Meninas solteiras senhoras casadas
Todas lindas e aperaltadas,
Tantas gentes que lá passeavam!
Na noite escura e á luz da lua
Rugiam motores de Subarus e descapotáveis
Sinais de luzes ou aceleradelas
Indicavam códigos tão indecifráveis.
Quem os entendia, a janelas assomava.
Após tantos anos passados
A minha rua não envelheceu
E continua linda movimentada,
Inesquecível para quem a conheceu
A rua onde eu também passeava!














domingo, 4 de novembro de 2012




MENINO NEGRO

Menino negro, meu irmão
Nascido na mesma terra que eu
Comeste o peixe que comi
A mesma água nos matou a sede
Brincaste comigo lado a lado
Demos tantas vezes as mãos
Na mesma escola brincamos
Crescemos uma vida inteira!
Hoje, invejo-te meu irmão
Tens mais que eu tenho
Nesse Moçambique onde  nascemos.
Ainda vês a nossa escola
E da malambeira a sombra
Da qual tantas vezes brincamos!
E a maçanica rosada, tão doce!
Descansas a sombra da mangueira.
És livre meu irmão, num país
Em guerra, mas é teu!
E eu? Que me resta meu irmão?
Saudades, saudades de ti, de tudo enfim.
Recordações tão gratas e lindas
Oh, como me sinto em terra alheia!